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3 de abril de 2017

Pequenas carências



Estar bem comigo mesmo não me exime de sentir falta. Eu sinto, sem vergonha de assumir.

Eu sinto falta... de receber uma mensagem de bom dia, andar de mãos dadas, deitar no peito de quem eu amo e ouvir seu coração bater. Essas coisas simples. Sinto falta até de coisas que há tempos não tenho: alguém que me abrace, me ame, pegue na minha mão e diga “tá tudo bem”, quando eu sei que não está. Nós dois sabemos, mas um abraço, um beijo e um pedaço de melancia podem fazer o mundo parar de girar por alguns minutos.

Sinto falta de tirar a capa de “nada me atinge”, dormir de conchinha e alguém que sorria ao receber uma mensagem minha. E pare o que estiver fazendo por alguns segundos para garantir que eu sei do sorriso, pela resposta rápida.

Alguém que me encaixe nos cinco minutos da sua agenda lotada de terça-feira. E diga eu te amo com orgulho, tão bêbado que, mesmo eu não bebendo, me embriague com seu hálito, na sexta-feira ou quem sabe mesmo no sábado.

Não é preciso muito para eu me apaixonar: sinto falta de alguém pegar as minhas mãos e sair andando por aí. A caminhada é mais importante que o destino. Ser o cara que eu tenho orgulho de chamar para um feijão tropeiro com a família e que minhas amizades assumam, talvez a contragosto, que é a pessoa certa pra mim.

Eu realmente sinto falta, alguns dias mais que outros e em uns, com tanta força que parece que me falta um dente.

Enamorar pelos seus defeitos e amá-lo após as brigas. E não ter medo de perder quem a gente ama.

Sinto falta dos abraços de urso, beijos de halls de menta, a preguiça dos domingos e os casacos dele que ficam melhores em mim do que nele.

Quando eu penso nesses momentos não me vem um rosto a mente, mas sinto falta de chamar esse cara de rosto desconhecido que anda por aí de namorado. E ser seu companheiro e melhor amigo, mesmo (e mesmo se houver) depois do fim.