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22 de julho de 2017

Seus olhos verdes



Seus olhos verdes deveriam estar emplacados:
“Cuidado!
O perigo aqui está abrigado”.
Faltou cautela de minha parte,
Sua voz macia nocauteou-me
E o lento e tênue toque de nossos lábios
Só aumentou a minha vontade.

A falta de enlace era a minha intenção,
Mas sua mão quente contra o meu corpo frio
Não me deixou outra opção:
Você venceu o embate,
Colocando em destaque os desígnios do coração.
E eu, que de tanto ouvir a razão evito o ataque,
Tropecei na sintaxe,
Revertendo os elementos da habitual oração.
Como um sujeito à paixão refratário
Iria adivinhar que cairia por tais predicados?

Seus olhos verdes deveriam ser murados,
Cercados, cerceados.
Cuidado ao me olhar novamente
Com esses olhos amaldiçoados,
Pois há de me encantar com esses olhos de serpente,
Cujo veneno confunde e entorpece,
Desnorteia e enlouquece,
Afrouxa as marras e aquece
A minha mente.

Pois...
Ah...
Não preciso ser adivinho
Para adivinhar,
Não preciso de bola de cristal para vislumbrar,
Não há necessidade de me avisar,
E não há conselho que possa evitar
Que esses olhos verdes ainda hão de me desnortear.
Deixe, moço loiro dos olhos verdes,
Esverdear em nossos corpos e almas
Essa conexão ou então,
Deixe seguir em firmeza e convicção
A estrada que, antes dos olhos verdes,
Seguiam, tão firmes, tão certas, tão leves,

As batidas do meu coração. 
16 de junho de 2017

Desromantizando o amor



Ninguém é obrigado a te fazer feliz. Você não precisa de ninguém para ser feliz. O amor que você dá e os cuidados que você dispensa a alguém não tornam-se, automaticamente, uma dívida: ninguém é obrigado a pagar pelo carinho que você compartilhou. O amor não é uma moeda de troca. 

Você não "precisa" de alguém e ninguém "precisa" de você. O amor não é uma prisão sem chave: você pode sair quando não estiver se sentindo bem e a outra pessoa também não é obrigada a ficar onde não quer. Você não precisa suportar os defeitos de ninguém, assim como ninguém precisa suportar os seus defeitos, se toda essa convivência faz com que no final do dia ambos estejam saturados. Você não é obrigado a estar, ficar ou tornar-se infeliz por "amor a alguém". 

Nenhuma garantia será suficiente para aplacar a sua insegurança: contratos, promessas de amor eterno e cerceamento da liberdade não são amor. Você não precisa deixar de fazer as coisas que gosta porque está com alguém. Você não precisa sacrificar os seus sonhos, desejos, vontades e necessidades por alguém e ninguém precisa sacrificar necessidades, vontades, desejos e sonhos por você. Ninguém é obrigado a gostar das mesmas coisas que você porque "se apaixonou por você". Amar não é antônimo de liberdade e sinônimo de sacrifício. Amor não tem que rimar com dor. 

Se alguém pede que você se afaste das pessoas que você gosta "por amor", afaste-se dessa pessoa. E, nunca, nunca, nunca abandone os seus amigos por influência das pessoas com quem você se relaciona. Amores vem e vão, mas dizem que as amizades verdadeiras permanecem ao longo do tempo. 

Ninguém nunca vai corresponder às suas expectativas e você nunca corresponderá às expectativas de ninguém. Você não precisa se adaptar às expectativas de alguém: é necessário, apenas, respeito. Respeito pela história da pessoa com quem você se relaciona, que tem uma vida que não depende de você. Amigos que ela conheceu antes de você, sonhos que ela teve antes de te conhecer, pessoas com quem ela se relacionou antes de você e talvez ainda mantenha contato, uma família que sempre estará lá, quer você queira ou não, e uma vida inteira pela frente, que seguirá, com ou sem você. Você não é insubstituível na vida de ninguém, mas será sempre inesquecível se conseguir manter o interesse, respeitando a personalidade, a história, os amigos, a família, os sonhos e a liberdade da pessoa que, hoje, você ama. 

Mas o amor não precisa ser eterno. O amor não precisa ser eterno. O amor não precisa ser eterno. O amor não precisa ser eterno. Repito: o amor não precisa ser eterno. E se ele acabou, não quer dizer que ele nunca existiu. 

Uma relação não se faz só de amor e o amor, somente, não consegue sustentar uma relação. É preciso disposição, respeito, muito respeito, desapego e honestidade. É preciso disposição porque às vezes a outra pessoa vai te cansar e você, inevitavelmente, vai cansar a outra pessoa. Mas se ainda houver disposição vocês vão conseguir se relacionar. É preciso respeito, muito respeito. Respeito é primordial. Respeito pela história da pessoa com quem você se relaciona, que tem uma vida que não depende de você. Amigos que ela conheceu antes de você, sonhos que ela teve antes de te conhecer, pessoas com quem ela se relacionou antes de você e talvez ainda mantenha contato, uma família que sempre estará lá, quer você queira ou não, e uma vida inteira pela frente, que seguirá, com ou sem você. Você não é insubstituível na vida de ninguém, mas será sempre inesquecível se conseguir manter o interesse, respeitando a personalidade, a história, os amigos, a família, os sonhos e a liberdade da pessoa que, hoje, você ama. É sempre bom repetir. É preciso desapego, porque ninguém consegue preencher completamente ninguém. Você nunca será o centro da existência da outra pessoa e é saudável que você não coloque a outra pessoa no centro da sua vida. É preciso desapego porque ela olhará para o lado, por mais que você tente tapar os seus olhos. Ela irá conviver com outras pessoas, por mais que você tente mantê-la na torre do castelo do seu amor. Essa pessoa poderá envolver-se com outras pessoas, sexualmente, afetivamente, e isso não quer dizer que ela não te ame. A prisão não garante a perenidade do amor. É preciso honestidade e, sobretudo diálogo, porque pessoas ainda não possuem o dom da telepatia. As pessoas não vão adivinhar o que você sente, deseja e precisa, a não ser que você diga, diretamente, sem palavras, meia voltas, indiretas e enigmas. Por mais que alguém te conheça, anos e anos, décadas, essa pessoa nunca vai adivinhar. Discussões são necessárias, mas brigas devem sempre ser evitadas. 

Não existe a pessoa perfeita, não existe alma gêmea, ninguém tem a "tampa da panela" ou a "metade da laranja" porque somos pessoas completas. Imperfeitas, é verdade. Carentes de amor, cuidado, carinho, proteção, chamego, diálogo, sexo também. Mas ninguém é obrigado a nos oferecer nada disso e não iremos morrer se alguém recusar as nossas propostas em compartilhar todas essas coisas. 

Não sou uma dessas pessoas que fingem uma completa desconstrução e o mais perfeito dos desapegos. Sou também imperfeito. Também sinto ciúme, carência, raiva, insegurança, medo de perder e tristeza quando as pessoas que amo têm de ir. Mas mantenho todas essas coisas na cabeça, acreditando que, por mais clichê que possa parecer, uma hora temos que aprender que é melhor estar só, do que mal acompanhado. 


12 de junho de 2017

O colecionador de estrelas


Ele colecionava estrelas. Estrelas são essas coisas que brilham e ofuscam os olhos. Outras vezes se movem e as pessoas juram que elas caem do céu. Enfeitam a escuridão e iluminam as horas sombrias. São fonte de poesias e musas inspiradoras. As nuvens tapam sua luz, mas não escondem o seu brilho. Mesmo a Lua, em todo o seu esplendor, só faz refletir o seu iluminar. 

Ele havia sido a estrela da vida de alguém. As pessoas não se esquecem das estrelas e eis que não se esqueceriam dele, mesmo que andasse por aí com a pretensão de não querer se apaixonar. Tinha a ousadia de não se envolver. Quando todos queriam ser estrela, ele queria a calma de um céu preto. Ele já havia sido a estrela na vida de alguém. Sabia, com a certeza brilhando nos olhos, que ser estrela é um trabalho de muita responsabilidade. 

Ele colecionava estrelas. Estrelas são essas coisas que brilham e ofuscam os olhos. Apertam e enternecem o coração. Têm o calor das mãos que seguram outras mãos e andam, mãos dadas, lado a lado. Fazem cafuné nos cabelos e dormem de conchinha para aquecer nos dias frios. Esquentam o corpo, pele na pele. São portos seguros. Enfeitam a escuridão e iluminam as horas sombrias. São fonte de poesias e musas inspiradoras. Os dias ruins tapam sua luz, mas nunca escondem o seu brilho. Outras vezes se cansam e as pessoas juram que elas acabam. Mas mesmo o fim, em todo o seu esplendor, só faz refletir o seu iluminar. Estrelas nunca morrem. Explodem em lembranças de amor. 
3 de abril de 2017

Pequenas carências



Estar bem comigo mesmo não me exime de sentir falta. Eu sinto, sem vergonha de assumir.

Eu sinto falta... de receber uma mensagem de bom dia, andar de mãos dadas, deitar no peito de quem eu amo e ouvir seu coração bater. Essas coisas simples. Sinto falta até de coisas que há tempos não tenho: alguém que me abrace, me ame, pegue na minha mão e diga “tá tudo bem”, quando eu sei que não está. Nós dois sabemos, mas um abraço, um beijo e um pedaço de melancia podem fazer o mundo parar de girar por alguns minutos.

Sinto falta de tirar a capa de “nada me atinge”, dormir de conchinha e alguém que sorria ao receber uma mensagem minha. E pare o que estiver fazendo por alguns segundos para garantir que eu sei do sorriso, pela resposta rápida.

Alguém que me encaixe nos cinco minutos da sua agenda lotada de terça-feira. E diga eu te amo com orgulho, tão bêbado que, mesmo eu não bebendo, me embriague com seu hálito, na sexta-feira ou quem sabe mesmo no sábado.

Não é preciso muito para eu me apaixonar: sinto falta de alguém pegar as minhas mãos e sair andando por aí. A caminhada é mais importante que o destino. Ser o cara que eu tenho orgulho de chamar para um feijão tropeiro com a família e que minhas amizades assumam, talvez a contragosto, que é a pessoa certa pra mim.

Eu realmente sinto falta, alguns dias mais que outros e em uns, com tanta força que parece que me falta um dente.

Enamorar pelos seus defeitos e amá-lo após as brigas. E não ter medo de perder quem a gente ama.

Sinto falta dos abraços de urso, beijos de halls de menta, a preguiça dos domingos e os casacos dele que ficam melhores em mim do que nele.

Quando eu penso nesses momentos não me vem um rosto a mente, mas sinto falta de chamar esse cara de rosto desconhecido que anda por aí de namorado. E ser seu companheiro e melhor amigo, mesmo (e mesmo se houver) depois do fim.
5 de fevereiro de 2017

Vida

Eu cresci e me deram um giz para rabiscar um caminho. Meu caminho, disseram. A gente cresce e para de desenhar corações. Isso não quer dizer que paramos de amar. Nós apagamos os desenhos da gente voando, o que não significa que não sonhamos mais. A gente não reparte o giz com a mesma facilidade. A confiança não morreu. No entanto, eu estaria mentindo se eu dissesse que nada mudou.

Você e eu, nós todos, já vimos a morte, a vida, o amor, o beijo, o abraço, a lágrima, a saudade, a rejeição, o adeus, o reencontro. A gente morre alguns dias, partes de nós apodrecem para dar lugar a outras, mais bonitas ou mais feias. O giz aperta na mão, porque nem sempre o caminho é reto. O meu caminho é uma linha que segue, mas às vezes volta, para, respira, se apaga, mas segue. Segue. Firme e forte. 

Essa linha - que de linha só tem o nome que dei agora - é o meu caminho. Meu. Ela às vezes se cruza com outras linhas, mas elas nunca se misturam. Viver é uma escrita de um giz só. Isso é lindo. E terrível. A gente cresce e engole isso. Depois de tudo, eu continuo sorrindo e quando eu choro, sei que vai passar. Eu tenho o privilégio de otimismo e não reclamo. Tem gente que não tem nem isso. Eu sempre olho a linha e sei que hoje estou melhor do que ontem. Chamo isso de felicidade. A linha, cheia de curvas, que segue. Segue. Firme e forte. 



22 de janeiro de 2017

A lista de poesias


- Tudo se resume a um pouco de fome. Eu sou honesto: como muito. E aqueles que tem refeições contadas preferem me deixar de dieta. Tem até uma palavra pra isso.
            - Promíscuo?
            - Não sou muito bom em etimologia, tampouco tenho um milhão de verbetes na minha cabeça, mas essa palavra não me soa bem aos ouvidos.
            - Eu entendo. Já caiu no mau uso.
            - Sou hedonista, não nego. Aprecio o toque, suave, como uma seda, de dedos no meu corpo, que se arrepia e estremece. Todo. Pura poesia. Já viu dois corpos nus juntos? Caramba, tem coisa mais bonita?
            O outro bebeu o vinho. Parecia encabulado. Pegou o cardápio e fingiu olhar as opções de comida.
            - É bonito mesmo.
            - E eu não sei? – suspirou.
            O outro olhou com mais atenção, por cima do cardápio. Vestia uma camisa branca, abotoada até o peito, cujos pequenos pelos brotavam da parte desnuda. A barba preta contrastava com os olhos esverdeados, que agora encaravam algum ponto longínquo, e quase escondia a boca de lábios pequenos, mas apetitosos. Sorriu e os dentes brancos brilharam, refletindo as luzes dos postes daquela rua de pedra sabão. O hedonista continuou o suspiro. Talvez porque estava trajando uma roupa muito formal para aquela ocasião: um blazer preto e uma gravata, da mesma cor. A camisa social, azul clara, estava perfeitamente passada, sem um mínimo resquício de dobra. A calça social preta cobria o sapato engraxado durante vários minutos. Percebeu o desconforto da companhia e afrouxou a gravata.
            - E o que devemos pedir?
            - Carne!
            O hedonista afirmou, com convicção. Depois parou. Repensou.
            - Você come carne, não é? Ultimamente todo mundo é vegetariano. – sorriu.
            Foi pegar o cardápio e, sem querer, encostou na mão do outro. Recuou, mas os dedos dele o puxaram. Repousou a mão em sua mão e olhou para o chão, instintivamente.
            - Não que eu tenha algo contra quem seja vegetariano, que fique bem claro.
            O outro soltou a mão e arrastou a cadeira para o lado. Estavam mais próximos.
            - Algumas pessoas falam muito quando estão nervosas. – olhou para o lado, encarando-o nos olhos. – É o seu caso?
            - Talvez...
            - Concordo. Tudo se resume a um pouco de fome. Eu tenho uma lista, em casa. Sempre que aprecio, digamos, uma nova comida, eu coloco. Não porque eu quero aumentar a lista, mas porque sou um pouco obsessivo de perder o controle e o número ou esquecer. Porque são experiências, mas acima de tudo, experiências com outras pessoas, não é? – não esperou o hedonista responder. – A primeira vez que eu dei por mim que a lista estava grande eu fiquei um pouco... Culpado. E chateado, pra falar a verdade. Afinal tudo aquilo que falavam se tornou verdade. Não passamos de sem vergonhas que só pensam naquilo.
            Pegou a taça de vinho. Tomou um ou dois goles. As suas mãos voltaram a aquecer as mãos do hedonista. Este nem piscava.
            - A lista se mostrou uma boa ideia, no final. Eu tinha todos os nomes, em ordem cronológica e linear. E sabe o que eu percebi? – era uma pergunta retórica. – Todas aquelas pessoas tiveram um pouco de mim e eu tive um pouco delas. Mas isso não banaliza o ato. É, como você disse, poesia. As melhores são aquelas que te tocam. Há as clássicas, que deliciam pela comodidade de percorrer os mesmos caminhos e, mesmo assim, provocar os mesmos arrepios. Há as eróticas, carnais, que arrepiam todo o corpo pela agressividade e despudor. Algumas são inteligentes e exercitam o cérebro. E há aquelas que saciam o corpo, a mente, os olhos e o coração. Talvez por isso, meu caro, falamos da nossa vontade de “fazer amor”.
            O hedonista se arrepiou. As mãos dele se desvencilharam das mãos do outro e procuraram por alguma parte do corpo que estivesse desnuda. Encontrou uma brecha na camisa e subiu as mãos pelo dorso.
            - Quem escreve, escreve mil e uma poesias e a quantidade de poesias não define um poeta. Alguns saciam-se com apenas uma. Outros precisam de muitas. Quem somos nós para julgar as poesias dos outros?
            - Pois é. Eu não rejeitaria uma nova poesia.
            - Que bom, meu caro. A caneta está ansiosa para mais um verso nas estrofes da minha lista.




15 de janeiro de 2017

Crônicas de malícia


Ergui o copo. Ele também ergueu o seu. Brindamos.
- Aos corações partidos!
- A novos recomeços, meu caro. Histórias de amor não são contos de fada.
Bebi o meu refrigerante. Ele bebeu a cerveja e me olhou maliciosamente. Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau. Por que eu nunca me canso disso?

-

Passeei a mão pelo meu cabelo e enrolei a ponta nos meus dedos.
- Quantos anos você tem mesmo?
- Vinte e dois.
Ele deu um sorriso de canto de boca. Eu olhei para baixo e sorri também.
- Parece menos.
Olhei nos seus olhos.
- Estou muito velho pra você?
Ele passou a mão na barba e sorriu, malicioso.
- Nem um pouco.

-

Falamos de amores passados, profissões desejadas, sonhos e desafetos. Falamos da situação econômica do país e do futuro incerto. Falamos do caos e das manias que inventamos para que tudo esteja em ordem. Conversamos sobre as decisões e indecisões. Analisamos as curvas da boca, os olhares, os tiques. A noite toda passou em um segundo. Só olhei no relógio – o momento derradeiro – quando já era a madrugada de outro dia. A Lua pairava, brilhando, sobre nós. E então falei do seu efeito sobre mim, como se eu fosse um licantropo qualquer. Ele sorriu. Não acreditava nessas coisas de astrologia, mas tinha um jeito singular de sustentar o olhar que me deixava desconcertado. Apertava o passo sem desajeito e arrumava o relógio no pulso com convicção. Tinha um quê de uma confiança colérica e um não-sei-o-quê de uma calma melancólica que pareciam a mistura perfeita para um homem.

-

- O amor é um jogo.
- Não discordo.
- Você sabe jogar?
- Só nos meus termos.
Ele jogou a carta. Olhei as minhas. Sorri, desapontado, e coloquei todas elas na mesa.
- Começou bem.


- O que você faz da vida?
- Eu me considero um escritor.
- E sobre o que escreve?

- Histórias de amor. Eu escrevo as melhores histórias de amor na vida de outras pessoas.