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18 de dezembro de 2013

Prazer a dois



Debaixo da soleira de uma porta qualquer, 
De qualquer quarto compartilhado,
Acima de chão limpo ou empoeirado,
Por cima de uma grande ou pequena cama,
Albergam-se dois corpos.
Estirados,
Unidos, 
Separados,
Pernas, mãos, braços cruzados.
Difícil definir...

Além dos olhares velados, 
Sorrisos atravessados,
Toques desavisados,
Lençóis desarrumados, 
Corpos desarrumados,
Corpos enlaçados,
Abraços e beijos dados,
Existe algo. 
Dois moços de prazer, por prazer, com prazer...
... Embriagados.

Afinal, 
Por cima de palavras cíclicas de versos repetitivos,
Ou acima, ou embaixo,
Dormem os dois meninos, 
Aquém de pudores,
Convenções
E um futuro escrito ou predefinido. 

Pois a paixão,
O prazer,
Vêm do sorver,
Sem pressa!
a companhia.
22 de setembro de 2013

Liberdade

Portas fechadas,
Janelas abertas
E a terrível incompletude do ser.


9 de setembro de 2013

Valsa com a solidão



Nessa imensidão de corpos perdidos,
Corações vazios,
Olhares aflitos,
Tédio infinito,
Minha alma valsa sozinha
E encontra com a solidão.
Minha alma grita e tenta fugir,
Mas a maldita rodopia, gira, dá a mão,
Sufoca, aperta, não solta.
Minha alma não suporta
E, reconhecendo o seu próprio vazio,
Abraça a solidão.
Amor é falta.

Nessa dança louca,
Em meio ao caos,
Sobrepõem-se opostos.
Constroem-se paradoxos,
Amor e ódio,
Morte e vida,
O querer e o não querer.
Minha alma tropeça,
Meu desejo não impera,
A solidão faz festa.
Valsa com exatidão
Em seu próprio terreno
E, aqui, na imensidão que torna a qualquer um vazio,
Quem não valsa acompanhado,
Nunca dança sozinho:
Valsa com a solidão. 






26 de julho de 2013

Rima fúnebre



O que se diz, o que se compreende
O que não transmito, o que não se entende
Palavras perdidas,
Solidão não dividida,
Toques desperdiçados,
Lembranças quebradas e seus cacos.
Pedaços de vida,
Aleatoriamente espalhados,
Propositalmente recordados.

Como retirar aquilo que se recusa a sair,
Como não sentir aquilo que insiste em transbordar,
Como esquecer aquilo que se recusa apagar,
Como não sentir o amor,
Não o querer,
Não o sentir,
Sequer o conhecer?

Tento, não consigo...
Desisto.
O sentimento transborda, para o meu dissabor
 E em minhas poesias sempre, sempre
O amor faz rima fúnebre com a dor.



9 de junho de 2013

Luzes na selva




 As luzes dessa cidade,
A alma desse lugar,
A solidão das ruas onde, à noite, costumo andar,
A avenida, descida, subida,
Os prédios lotados,
As casas vazias.
O carro passa,
As luzes piscam, brilham.
A cidade respira...

A noite nesse lugar
Não tem luar.
As luzes são luzes construídas.
O amarelo da cidade é de medo,
O negro da noite é de agonia.

Andamos solitários nas ruas dessa cidade,
Nas noites dessa cidade,
Entre as luzes que nos guiam.
O mendigo sente frio,
A prostituta levanta o vestido,
Enquanto o bêbado procura abrigo.
A cidade não chora,
Ela não se importa.
Mas não fecha as portas.
Acolhe, recolhe, encolhe
Mas não escolhe.

As marcas deixadas,
Passos já dados,
Lágrimas já derramadas,
Abraços,
Beijos,
São como as luzes,
Acendem e já se apagam.

A noite nessa cidade a guarda,
Tem alma,
Tem cor, som,
É um espetáculo,
Ator, espectador, cenário.
Ela não se importa com sua própria dor,
A cidade é selva,
O bicho-homem é o predador.
9 de abril de 2013

O "Outro"

Quero as cartas,
Quero as flores
Destinadas a outro homem. 

Quero o seu toque, 
Quero a sua língua na minha,
Quero a morfina, 
A nicotina,
Qualquer coisa que aplaque a minha ira. 

A segunda opção sou eu,
Segundas intenções,
Segundos contados
Na cama do seu quarto.
A mim só é dado o que sobra,
Resto dos poemas,
Resto das palavras,
Resto dos suspiros.
Quero o que me falta. 

Até quando pretende me manter como amante?
Como saber o que é verdade e o que é mentira?
Como não depender das suas palavras vazias?
Diga-me!
Quais são os sinais?

Somos aqueles que permanecem com o tempo
Quais são os seus anseios?
Do que é que você tem medo?
Conte-me os seus mais íntimos segredos,
Revele-me os seus mais loucos desejos.
Compartilhe mais do que seu corpo.

Quero ser aquele que pode ser visto com você, 
A razão do seu desejo,
Uma foto em um porta-retrato,
O lugar reservado em seu carro.
Quero ser o primeiro na lista do seu amor ambíguo, 
Quero ter seu amor, 
Mesmo que seu corpo seja eternamente dividido.


3 de abril de 2013

Sinais

 
Olhe pra mim!
Seus olhos te condenam,
São ondas, vem e vão
Seus olhos te traem
Mostram sua inconstância,
Gritam sua instabilidade. 

Olhe pra mim
Em teus olhos posso ver a sua alma
Em sua alma posso sentir seu coração
E o único lugar em que habito são em suas palavras
Se não da alma, nem do coração 
De onde elas vêm?

Toque em minhas mãos
Seu corpo não mente
Seu corpo me sente,
E o seu corpo me quer. 
Quente, 
Sua pele na minha
Sente?
Essa é a nossa única sintonia...

Fale pra mim
Suas palavras são filhas do vento
Espalhadas aos quatro cantos
Seu coração, porém, 
Não é dado a ninguém!
Eis-me aqui
Apaixonado, 
Iludido,
Seu corpo é meu cárcere,
Seu amor é meu suplício.

Cale-se,
Mas abra bem seus olhos
Sei ler bem os sinais
E sei dos meus desejos
Por um homem que seja completamente meu. 

1 de abril de 2013

Homens de homens

Homens de braços atados,
Mãos dadas.
São colunas, 
Muralhas. 
Homens de homens 
Sem seus homens não são nada. 


Homens de riso fácil,
Homens de cara fechada, 
Homens de rosto barbudo,
Homens de cara pelada. 
Caras que serão homens, 
Homens que nunca foram caras. 

Homens que dão flores, palavras, romance,
Homens que dão doces, beijos e então somem.
Mas homens que se escondem nunca serão homens. 


Homens que já foram garotos de um garoto,
Homens que já foram de outro homem.
Homem de posse de um outro, 
Homens de mesmo nome. 

Moços de traços, 
De braços, 
Moços que são bons moços, 
Moços mal-educados. 
Moços voz de menina, 
Moços voz de trovão, 
Moços escravos do desejo, 
Moços que seguem a voz do coração. 


Homens, garotos, moços
Sensíveis ou insensíveis,
Duráveis ou perecíveis, 
Felizes ou tristes,
São homens, os mesmos, 
Mesmo amando outros homens. 
 
 
 
10 de março de 2013

Brasil (Todas As Cores) - Cazuza

Não me convidaram
Pra esta festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer...


Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito
É uma navalha...

São Paulo - SP

Brasil!
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...

Londres - Inglaterra

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer...

São Paulo - SP

Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada
Prá só dizer "sim, sim"


Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...

Porto Alegre - RS

Grande pátria
Desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
Não, não vou te trair...

Rio de Janeiro - RJ

Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...

Confia em mim
Brasil!!

Rio de Janeiro - RJ


Fotos de manifestações que ocorreram por todo o Brasil em repúdio à nomeação do Pr. Marco Feliciano à Presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias

Retirados das páginas
Homofobia Não
Cartazes & Tirinhas LGBT
 
3 de março de 2013

Maldade




“... o perigo está apenas nos atos das pessoas ruins pois estes têm consequência, mas elas próprias não são perigosas, são infantis, cansadas, precisam dormir um pouco.”  

Clarice Lispector
2 de março de 2013

Desejo

Artista: Steve Walker 


O fogo vai nos consumindo
O desejo vem nos queimando
E a distância vem nos afastando.
Esse vai e vem não pode acabar bem.

Dia e noite meu corpo sente falta do seu corpo.
Isso não é normal.
Dia e noite estou em chamas
Meu coração reclama
Essa doença parece fatal.

Nosso amor é proibido,
Nosso desejo é infinito,
Nossos encontros são imprevisíveis.

Meu coração clama por amor,
Meu corpo clama por paixão
Mas é um ponto final o que clama a minha razão.
A quem devo ouvir?
Qual voz seguir?

1 de março de 2013

Casamento civil igualitário

Finalmente uma boa notícia... O casamento civil igualitário (entre pessoas do mesmo sexo) já é uma realidade no Brasil. Infelizmente não é uma realidade em todos os Estados. Aos poucos a igualdade vai tomando o espaço.

Créditos: Homofobia Não

Gostaria de compartilhar com vocês alguns vídeos/fotos de casamentos que me tocaram profundamente. As fotos são do site 'Casando Com Amor'. Vocês podem conferir clicando nos links abaixo:

O casamento de Rafael e Jarret



Marcos e Marcos casamento civil 



E, claro, não poderia deixar de compartilhar esse vídeo lindo do casamento de Aécio e Luiz Felipe. As fotos  e o vídeo vocês podem conferir aqui: http://casandocomamor.com.br/um-video-para-emocionar/


24 de fevereiro de 2013

Às minhas princesas




Canto de um laço que nunca se quebrou
Canto a amizade,
Canto o amor.
E a poesia faz-se canção
Palavras, melodia do coração.

Duas princesas,
Filhas e mães da realeza,
Senhoras e vassalas da gentileza,
Detentoras da bondade e da beleza.
Rainhas desse admirador que as apresenta.

Somos velhos conhecidos.
Compartilhamos muitos momentos,
Fomos próximos da infância à contemporaneidade.
Velhos no amor que sentimos,
Jovens, ainda, na idade.

Canto àquelas que me encantaram,
Encantado estou por ser cativado.
Minhas princesas, eis aqui o Vosso Vassalo!
Cantar as vossas virtudes: eis o meu trabalho!

Somos do mundo da fantasia.
Artistas,
Sonhadores...
A realidade nem sempre nos aprecia,
Somos criativos:
A realidade a gente recria!

Somos amigos,
E eu o Vosso Propagador,
O Vosso Trovador.
 Somos poesia, fantasia.
Somos a prova viva
De que existe eterno amor!


23 de fevereiro de 2013

Corrida


Cresce, menino!
Voa pra longe do ninho
Faz do mundo penico
Despeja nele o medo.

Amadurece, semente!
Vira flor,
Vira fruto,
Deixa semente do seu ardor.

Caminha, garoto!
Vá em frente,
Nade contra a corrente,
Constrói um novo mundo com nova gente.

Pode chorar.
Pode cair.
Enxuga as lágrimas,
Levanta daí!
Só não pode parar,
Tem que sempre seguir, seguir.

Apressa o passo, rapaz!
O trem dá a partida
E no embalo da corrida
Te deixa pra trás.
Tem que correr!
Apressa o passo, rapaz!
O mundo é de quem faz
E é pequeno demais pra gente como você,
Destinado a vencer!


19 de fevereiro de 2013

Poesia Astral




Andando por aí, apaixonado, enamorado
Mas carente da presença do amante
Do lado
Vejo um moço conferindo o troco
E, ao perceber-se enganado, volta exaltado
“Meu troco certo agora, sem demora
Tenho hora marcada no dentista, preciso ir embora!”
O pipoqueiro, idoso, levanta os olhos
“Seu troco está certo, rapaz!
Já pode ir embora sem demora!”
O rapaz-moço fecha a cara e começa a gritar nervoso
“Quero o meu troco! Acha que eu sou bobo?
Cinqüenta reais menos dois é quarenta e oito!”
O idoso dá risada
“Mas, caro rapaz, a pipoca é dois e uns trocados
Não te dei o troco errado!”
“Não adianta querer me passar para trás
Quando cheguei disse que era dois reais!”
“Não, não disse! Tenho certeza absoluta!
Não vou te dar troco algum...”
“Velho idiota, além de caduco...
Vê-me logo o troco...”
E a briga se estende assim...
Ariano e taurino, teimosos, com eles a briga é sem fim...

Lembro do meu amado,
Onde será que anda? Será que está pensando em mim?
Uma moça, linda e bem arrumada,
Cumprimenta a todos provando ser também simpática
Senta no banco, abre um livro
E, sem perceber, inicia um reboliço
Garoto pra lá, garoto pra cá... E a garota, distraída,
Não vê que movimenta com sua beleza toda uma avenida!
Inteligente, simpática, arrumada e bonita...
Libriana, com certeza, essa menina!

Mas... Veja quem chega agora!
Roupa excêntrica, diferente
Cabelo cortado, todo arrumado...
Outro libriano?
Adora a atenção, rodeado de amigos
E como gosta de elogios!
Não, não. Só pode ser um leonino!

“Alô Ana?
Mariana? Alô? Quem fala?”
E o celular não para
“Aqui é a Susan,
Quem fala?”
E mais uma vez o celular toca:
“Alô? Ah, agora sim é você, Ana!”
Garota agitada e alegre. Sagitariana!

Já estou meio atordoado
Com tanto movimento
É, esse não era o momento de divagar sobre o meu amado...
E, agora, um moço... Pareceu-me tão ocupado
Celular, mala na mão e um terno bem colocado
Um empresário determinado, eu penso
Capricorniano doido por poder e dinheiro!

E ele para por uns segundos.
Parece-me um movimento tão planejado!
Não estava enganado... Momentos depois surge um carro
E dentro dele uma linda mulher
Vestido prateado, brincos dourados, batom vermelho
Nos lábios delicados
O moço dá as mãos para que ela desça
E a moça fica agradecida
Seu olhar tão feminino me indica:
Uma pisciana típica!

E desce e sobe as escadas uma criança apressada
E para, e lê o livro que está na varanda
E corre, e anda... Depois, para e de mim se aproxima:
“Olá moço!”
Pareceu-me tão simpática a criança
Mas tão apressada e tão cheia de faces
Geminiana, de fato!

E surge então, um garoto e brinca com a criança
E como é inteligente!
Monta barcos, casas de madeira e inventa diversas brincadeiras
Pareceu-me meio avançado e curioso
Um explorador aquariano?

Agora subo o morro
E encontro um moço novo
Lá pelos seus dezesseis, garanto que não passa de dezoito
Inteligente esse garoto
Mas de posições um pouco conservadoras
Conta-me um segredo: é escritor!
Mas há tempos que não publica obras
Diz o garoto que exige a perfeição em tudo que faz
E parece que nada que escreve quer ser perfeito uma vez mais
“Virginiano?” eu pergunto
“És astrólogo, cara astuto?”
E assim seguimos até certo ponto juntos

Ai, já me cansa essa rotina de movimento
Paro e descanso no banco por um momento
E meus olhos param por sobre a paisagem que agora passa
Um cara misterioso
Meu Deus, como é lindo! Maravilhoso!
E passa e seduz com seu olhar a me hipnotizar
Esqueço do meu amado...
Um carente canceriano
É presa fácil pra um sedutor escorpiano!