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6 de novembro de 2017

Por onde andas?

"A emoção acabou, que coincidência é o amor. A nossa música nunca mais tocou."
Codinome Beija-Flor 



Onde foi que eu me perdi?
Eu me perguntei. Eu me pergunto, com a mesma dúvida desoladora dos últimos dias. Onde foi que eu me perdi?
Lembro da inocência dos dias tranquilos, onde os cafunés eram abundantes e se excediam às cruéis despedidas. Nesses dias o amor (ainda) existia. E mesmo quando acabava, a esperança não dava lugar ao vazio. Há sempre uma nova estrada a ser percorrida.
Onde foi que eu perdi?
O encanto sutil dos encontros, o ajeito suave do cativar, a lentidão de se desnudar a alma e a alma alheia ser despida. O toque sincero e honesto nas pontas dos cabelos, o beijo... Os beijos! Ah, as incursões aos lugares onde a paixão poderia desabrochar, o calor dos corpos que se aquecem e o emaranhado de poesias que o amor traz.
Por onde andam os meus sentimentos?
O que foi feito do meu coração?
...
Pois há que se dizer que os cacos estão jogados. Perdeu-se a poesia dos últimos dias e a arte, que era o amor, era o amor, foi-se embora. Estamos blindados. Cadeados. Muralhas.
28 de agosto de 2017

Deixa


Deixa crescer
Assim, sem tanto alarde,
Florescer 
Em flor, amor, 
Pele cor de pêssego
Paixão de fogo
E olhar de desejo. 
E que não fiquemos assim,
Tão covardes, 
Com esse súbito sentimento
Que nos invade.

Deixa.. 
Deixa arder em nós, 
Cala a minha voz
Com seu beijo 
E adoça o meu olhar com teu cortejo 
Olhos de ensejo, 
Que o amor é eterno, 
Mas o nosso toque é efêmero.

Deixa...
No meu rosto, 
No meu corpo, 
Nas dobras todas do meu pescoço, 
Um carinho, 
Um chamego, 
Aconchego
Deita nos meus ombros e diz pra mim todos os seus medos.
Deixa...
Eu enrolar os seus cabelos, 
Matar sua insegurança com meus beijos 
E ser seu, 
Por inteiro.

Deixa?
Deixa?
Deixa... 
Percorrer a estrada
Com suas mãos atadas às minhas 
E selar nossos lábios com poesias, 
Olhar as constelações,
Dormir de conchinha
E casar nossos sonhos 
De ser uma família.

Deixa...
Eu ficar solitário 
Quando não quiser companhia?
Deixa eu cantar seus méritos nessas pobres rimas?
E zelar pelo seu sono 
Quando a insônia insistir?
E eu prometo que serei seu porto seguro
E eu deixo...
Eu deixo minha liberdade não ser um empecilho, 
Eu não deixo meu jeito frio ser nosso inimigo, 
Eu luto por você. 
Você luta comigo? 
Pra gente não desistir,
E quando precisarmos ir, 
Que seja dito.
E eu não vou sumir 
Porque eu não desisto.
Serei seu, 
No ontem, no agora e no infinito.

Você só precisa deixar. 
Deixa?
22 de julho de 2017

Seus olhos verdes



Seus olhos verdes deveriam estar emplacados:
“Cuidado!
O perigo aqui está abrigado”.
Faltou cautela de minha parte,
Sua voz macia nocauteou-me
E o lento e tênue toque de nossos lábios
Só aumentou a minha vontade.

A falta de enlace era a minha intenção,
Mas sua mão quente contra o meu corpo frio
Não me deixou outra opção:
Você venceu o embate,
Colocando em destaque os desígnios do coração.
E eu, que de tanto ouvir a razão evito o ataque,
Tropecei na sintaxe,
Revertendo os elementos da habitual oração.
Como um sujeito à paixão refratário
Iria adivinhar que cairia por tais predicados?

Seus olhos verdes deveriam ser murados,
Cercados, cerceados.
Cuidado ao me olhar novamente
Com esses olhos amaldiçoados,
Pois há de me encantar com esses olhos de serpente,
Cujo veneno confunde e entorpece,
Desnorteia e enlouquece,
Afrouxa as marras e aquece
A minha mente.

Pois...
Ah...
Não preciso ser adivinho
Para adivinhar,
Não preciso de bola de cristal para vislumbrar,
Não há necessidade de me avisar,
E não há conselho que possa evitar
Que esses olhos verdes ainda hão de me desnortear.
Deixe, moço loiro dos olhos verdes,
Esverdear em nossos corpos e almas
Essa conexão ou então,
Deixe seguir em firmeza e convicção
A estrada que, antes dos olhos verdes,
Seguiam, tão firmes, tão certas, tão leves,

As batidas do meu coração. 
16 de junho de 2017

Desromantizando o amor



Ninguém é obrigado a te fazer feliz. Você não precisa de ninguém para ser feliz. O amor que você dá e os cuidados que você dispensa a alguém não tornam-se, automaticamente, uma dívida: ninguém é obrigado a pagar pelo carinho que você compartilhou. O amor não é uma moeda de troca. 

Você não "precisa" de alguém e ninguém "precisa" de você. O amor não é uma prisão sem chave: você pode sair quando não estiver se sentindo bem e a outra pessoa também não é obrigada a ficar onde não quer. Você não precisa suportar os defeitos de ninguém, assim como ninguém precisa suportar os seus defeitos, se toda essa convivência faz com que no final do dia ambos estejam saturados. Você não é obrigado a estar, ficar ou tornar-se infeliz por "amor a alguém". 

Nenhuma garantia será suficiente para aplacar a sua insegurança: contratos, promessas de amor eterno e cerceamento da liberdade não são amor. Você não precisa deixar de fazer as coisas que gosta porque está com alguém. Você não precisa sacrificar os seus sonhos, desejos, vontades e necessidades por alguém e ninguém precisa sacrificar necessidades, vontades, desejos e sonhos por você. Ninguém é obrigado a gostar das mesmas coisas que você porque "se apaixonou por você". Amar não é antônimo de liberdade e sinônimo de sacrifício. Amor não tem que rimar com dor. 

Se alguém pede que você se afaste das pessoas que você gosta "por amor", afaste-se dessa pessoa. E, nunca, nunca, nunca abandone os seus amigos por influência das pessoas com quem você se relaciona. Amores vem e vão, mas dizem que as amizades verdadeiras permanecem ao longo do tempo. 

Ninguém nunca vai corresponder às suas expectativas e você nunca corresponderá às expectativas de ninguém. Você não precisa se adaptar às expectativas de alguém: é necessário, apenas, respeito. Respeito pela história da pessoa com quem você se relaciona, que tem uma vida que não depende de você. Amigos que ela conheceu antes de você, sonhos que ela teve antes de te conhecer, pessoas com quem ela se relacionou antes de você e talvez ainda mantenha contato, uma família que sempre estará lá, quer você queira ou não, e uma vida inteira pela frente, que seguirá, com ou sem você. Você não é insubstituível na vida de ninguém, mas será sempre inesquecível se conseguir manter o interesse, respeitando a personalidade, a história, os amigos, a família, os sonhos e a liberdade da pessoa que, hoje, você ama. 

Mas o amor não precisa ser eterno. O amor não precisa ser eterno. O amor não precisa ser eterno. O amor não precisa ser eterno. Repito: o amor não precisa ser eterno. E se ele acabou, não quer dizer que ele nunca existiu. 

Uma relação não se faz só de amor e o amor, somente, não consegue sustentar uma relação. É preciso disposição, respeito, muito respeito, desapego e honestidade. É preciso disposição porque às vezes a outra pessoa vai te cansar e você, inevitavelmente, vai cansar a outra pessoa. Mas se ainda houver disposição vocês vão conseguir se relacionar. É preciso respeito, muito respeito. Respeito é primordial. Respeito pela história da pessoa com quem você se relaciona, que tem uma vida que não depende de você. Amigos que ela conheceu antes de você, sonhos que ela teve antes de te conhecer, pessoas com quem ela se relacionou antes de você e talvez ainda mantenha contato, uma família que sempre estará lá, quer você queira ou não, e uma vida inteira pela frente, que seguirá, com ou sem você. Você não é insubstituível na vida de ninguém, mas será sempre inesquecível se conseguir manter o interesse, respeitando a personalidade, a história, os amigos, a família, os sonhos e a liberdade da pessoa que, hoje, você ama. É sempre bom repetir. É preciso desapego, porque ninguém consegue preencher completamente ninguém. Você nunca será o centro da existência da outra pessoa e é saudável que você não coloque a outra pessoa no centro da sua vida. É preciso desapego porque ela olhará para o lado, por mais que você tente tapar os seus olhos. Ela irá conviver com outras pessoas, por mais que você tente mantê-la na torre do castelo do seu amor. Essa pessoa poderá envolver-se com outras pessoas, sexualmente, afetivamente, e isso não quer dizer que ela não te ame. A prisão não garante a perenidade do amor. É preciso honestidade e, sobretudo diálogo, porque pessoas ainda não possuem o dom da telepatia. As pessoas não vão adivinhar o que você sente, deseja e precisa, a não ser que você diga, diretamente, sem palavras, meia voltas, indiretas e enigmas. Por mais que alguém te conheça, anos e anos, décadas, essa pessoa nunca vai adivinhar. Discussões são necessárias, mas brigas devem sempre ser evitadas. 

Não existe a pessoa perfeita, não existe alma gêmea, ninguém tem a "tampa da panela" ou a "metade da laranja" porque somos pessoas completas. Imperfeitas, é verdade. Carentes de amor, cuidado, carinho, proteção, chamego, diálogo, sexo também. Mas ninguém é obrigado a nos oferecer nada disso e não iremos morrer se alguém recusar as nossas propostas em compartilhar todas essas coisas. 

Não sou uma dessas pessoas que fingem uma completa desconstrução e o mais perfeito dos desapegos. Sou também imperfeito. Também sinto ciúme, carência, raiva, insegurança, medo de perder e tristeza quando as pessoas que amo têm de ir. Mas mantenho todas essas coisas na cabeça, acreditando que, por mais clichê que possa parecer, uma hora temos que aprender que é melhor estar só, do que mal acompanhado. 


12 de junho de 2017

O colecionador de estrelas


Ele colecionava estrelas. Estrelas são essas coisas que brilham e ofuscam os olhos. Outras vezes se movem e as pessoas juram que elas caem do céu. Enfeitam a escuridão e iluminam as horas sombrias. São fonte de poesias e musas inspiradoras. As nuvens tapam sua luz, mas não escondem o seu brilho. Mesmo a Lua, em todo o seu esplendor, só faz refletir o seu iluminar. 

Ele havia sido a estrela da vida de alguém. As pessoas não se esquecem das estrelas e eis que não se esqueceriam dele, mesmo que andasse por aí com a pretensão de não querer se apaixonar. Tinha a ousadia de não se envolver. Quando todos queriam ser estrela, ele queria a calma de um céu preto. Ele já havia sido a estrela na vida de alguém. Sabia, com a certeza brilhando nos olhos, que ser estrela é um trabalho de muita responsabilidade. 

Ele colecionava estrelas. Estrelas são essas coisas que brilham e ofuscam os olhos. Apertam e enternecem o coração. Têm o calor das mãos que seguram outras mãos e andam, mãos dadas, lado a lado. Fazem cafuné nos cabelos e dormem de conchinha para aquecer nos dias frios. Esquentam o corpo, pele na pele. São portos seguros. Enfeitam a escuridão e iluminam as horas sombrias. São fonte de poesias e musas inspiradoras. Os dias ruins tapam sua luz, mas nunca escondem o seu brilho. Outras vezes se cansam e as pessoas juram que elas acabam. Mas mesmo o fim, em todo o seu esplendor, só faz refletir o seu iluminar. Estrelas nunca morrem. Explodem em lembranças de amor.